amour, blues et poésie
"Às vezes no silêncio da noite eu fico imaginando nós dois. Eu fico ali sonhando acordado, juntando o antes, o agora e o depois."

- Caetano Veloso (via oxigenio-dapalavra)
a-musicista:

uma das minhas fotos favoritas, com uma de minhas modelos mais queridas,Helena, e o entardecer no sul da cidade.

a-musicista:

uma das minhas fotos favoritas,
com uma de minhas modelos mais queridas,
Helena, e o entardecer no sul da cidade.

Nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

— Pablo Neruda.

No meio dos olhares tímidos que se abraçam com frio, com medo, com pavor de outro coração vertendo menos que flores, eu me consolo sem as suas digitais que não manchariam as minhas. Mas que se confundiriam, porque o meu desenho amaria a sua arte. “Eu te amo”, foi o último verso dessa nossa poesia nada parnasiana. Você gostava do meu cabelo pesado, dos meus cílios leves e até das minhas alucinações quase neutras. Você gostava das minhas dores que não gesticulavam, mas também do meu silêncio quase profano. Eu nunca tive a inocência dos seus sorrisos, sunshine. Eu nunca tive a incolumidade dos seus desesperos. Até seus gritos sempre pareceram sussurros se preocupando com o barulho inexato. No meio das omissões, Chico parece bom, Vinícius é amante e Leoni, sedutor, mas o silêncio já fora mais bonito porque eu tinha o poder sobre a sua voz. Me dizendo que eu consigo entrar nessa neura alter ego e ser tudo, mas ainda assim ser sua. Me abraço pequena porque não posso te abraçar grande. Vejo os desafios que chegam com a paciência de um autista e ainda quero enxergar suas lutas que brigavam feito crianças no pré-escolar. Eu preciso de um intervalo recreativo me fazendo lembrar que alguns minutos duram a eternidade, e a eternidade durou alguns minutos só porque eu te escrevo. Minhas palavras não são cruéis, mas esse silêncio oportuno é. Foi tão feliz você se rodopiando em volta de mim como se eu não pudesse ficar tonta porque minha solidão é torta. Não se preocupa com isso. Minhas mãos estão mais brancas que antes e tudo bem se ninguém fez fluir meu sangue pra que ficassem rosadas. Você sabe que eu não gosto de rosa, mas eu tentaria só porque a pureza das suas sementes lembra a raiz que fincou em mim. Me dá sua sombra. Me dá sua luz, black angel. Eu trocaria todas as lâmpadas da casa só pra não te ver no escuro, mas mesmo que eu pegue os bancos da mesa da sala e da área, é só isso que eu tenho: sua imagem holográfica no quarto fechado por causa dessa distância aberta. No meio das nostalgias, um filete de passado se presenteando. Me embala, mas não me entrega assim.